sábado, 31 de março de 2007

Eu sinto vergonha pelos outros

Sabe quando alguém faz algo tão ridículo que você sente vergonha por essa pessoa? Pois é, como quando Xuxa resolveu lançar aquele DVD para baixinhos, onde ela fazia caras e bocas para cantar e dançar aquelas dancinhas sem graça. Eu senti tanta vergonha pela Loira.

Essa semana quase não coloco a cabeça fora de casa de tanta vergonha. Um certo jogador de 58 anos atingiu a incrível façanha de marcar seu primeiro gol na carreira depois de oito como “profissional”. Claro que estou falando de Pedro Ribeiro de Lima, ou melhor, Seu Pedro, o jogador mais velho em atividade no mundo.

O curioso, é que o fato aconteceu bem próximo de outro jogador atingir uma marca histórica. Romário deve fazer seu milésimo gol em poucos dias, e não sossegará enquanto não realizar o feito. E tem que ser no Maracanã.

Bem mais modesto, Seu Pedro fez seu golzinho no Amigão, em Campina Grande contra o Campinense. Fiquei com vergonha por várias pessoas. A primeira, é claro, foi por ele próprio. Lembro de quando era criança ser sempre chamado para jogar as peladas. Na época acreditava que minhas habilidades futebolísticas eram apreciadas pelos meus amigos que sempre faziam questão de me chamar em casa.

Contudo, hoje vejo sob outro ângulo. Coincidentemente eu era o dono da bola e caso não fosse ninguém jogaria. Cheguei a essa conclusão após observar que sempre disputava a primeira partida. Mas depois ninguém fazia questão da minha presença no time. Assim é Seu Pedro. Só joga porque não só é dono da bola como do time.

Mas sinto vergonha por seus parentes também. Eu acharia ridículo ver meu pai sendo alvo de chacota por parte da imprensa, torcida e até de certos blogueiros que acham que entendem alguma coisa de futebol.

Todavia, a maior vergonha eu sinto pelo futebol paraibano. Imagine quando alguém de qualquer outro Estado da federação lê algo sobre os times locais e descobre que tem jogador até de 58 anos. Conclui-se imediatamente que um campeonato assim não tem credibilidade. A não ser que fosse na categoria Máster. O que não é.

Antes de mais nada, quero deixar claro que também sinto vergonha por Romário, que já poderia ter parado há muito tempo, ao invés de ficar mendigando gol pelo mundo afora como fez ano passado. Mas pelo menos ele tem uma história. Jogou e ainda joga porque tem qualidade para isso. Seu Pedro não. É apenas por ser o dono da bola.

Contudo, espero que assim como o Baixinho, que prometeu encerrar a carreira quando atingisse o milésimo gol, Seu Pedro faça o mesmo agora que atingiu o primeiro. Dificilmente ele vai achar outro goleiro que deixe a bola entrar para ele fazer seu segundo tento.

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